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Onde mora o seu olhar?

No último final de semana fui com minha filha assistir a uma peça de teatro e próximo a nós havia uma família cuja criança assistiu a todo espetáculo pela câmera do celular, filmando na íntegra todas as cenas, sem manifestar entusiasmo ou outra emoção.
Essa experiência me levou a refletir sobre o tempo que passamos atrás das telas e como ensinamos esse comportamento aos nossos filhos.

Essa não era a única família que mais filmava e fotografava do que assistia ao evento. Eu já havia me surpreendido há algum tempo com campanhas de fotógrafos sobre a dificuldade de registrar casamentos devido ao número de concorrentes pela melhor pose.

Claro que os registros são fundamentais para alimentar nossas memórias, mas as
memórias são feitas de momentos, não de registros.

Além disso, esse mesmo dispositivo que tira fotos, carrega consigo um universo inteiro.
Sejam informações de trabalho ou as redes sociais, nossa atenção para celulares e
afins é imensa e nem sempre conseguimos administrar com qualidade o tempo que
deveríamos estar “curtindo” a companhia da família e, principalmente, dos filhos.
O tempo passa tão rápido, as crianças crescem tão depressa e, quanto menores são, maior a necessidade do nosso olhar.

Dedique um dia, uma hora, um momento para observar seu filho e constatar quantas vezes ele procura o seu olhar, quantas vezes ele imita suas expressões.
Olhar, uma ação tão simples, mas que tem em si uma imensidão de ganhos. É através do olhar que se fortalece a confiança, que se manifesta a intenção, que se percebe o medo, que se aprende a conhecer o outro.

Como estamos educando o nosso olhar e qual tipo de exemplo fornecemos aos nossos filhos?
Que a vida moderna não tire de nós atitudes tão simples e tão valiosas que nascem a partir de um olhar atento.