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O que você diz ao seu filho influencia o conceito que ele tem de si mesmo.

Como falar com crianças ❤

Um dos maiores desafios na educação dos filhos é encontrar a linguagem certa para encantar as crianças e tornar a convivência mais harmônica em família.

Infelizmente não existe uma receita que garanta resultados espetaculares, mas existem estudos que nos auxiliam na composição de diálogos mais construtivos com os pequenos.

Quando o assunto é criança, é sempre importante pensar que eles aprendem o tempo todo. Não existe um botão liga/desliga capaz de controlar o que a criança deve ou não aprender espontaneamente. Devemos entender que nossas atitudes influenciam significativamente no sucesso (ou insucesso) de nossa comunicação, refletindo no desenvolvimento de valores que pretendemos formar.

Lamentavelmente, muitos pais ainda se valem de ameaças, reprovações ou críticas quando alguma coisa não vai bem na conduta dos filhos. Esse tipo de abordagem desperta na criança a necessidade de se defender para justificar suas atitudes, gerando uma resistência à autoridade e não uma solução para o problema.

Quanto mais nova é a criança, menor é sua capacidade de compreender e levar em conta os sentimentos dos outros. Por isso, acredite: a criança não está querendo te testar, ela não falha com suas expectativas para te provocar, pois ela consegue considerar apenas sua satisfação pessoal. Trocando em miúdos, a criança não consegue equacionar diferentes pontos de vista. É como se ela pensasse: se está bom pra mim, está bom para todo mundo. Compreender esse conceito é fundamental para se comunicar com os pequenos.

A linguagem do adulto não é inócua, ela afeta a vida da criança tanto de forma positiva quanto de forma negativa, pois influencia o conceito que ela tem de si mesma. Então, muito cuidado com apelidos ou rótulos atribuídos à criança de forma sistemática, pois ela pode sim se revestir deles e se tornar escrava de um estereótipo.

A partir desta semana, nossos encontros buscarão contribuir para uma comunicação saudável em família, onde seja possível alcançarmos nossos objetivos na educação dos filhos sem que haja desgaste, ameaça, castigos, medo ou insegurança. A proposta é trazer conhecimento para a comunicação em casa seja construtiva e que possibilite uma obediência consciente por parte dos filhos.

De um modo geral, a regra, ao conversar com uma criança, é ficar na mesma altura de seu olhar, agachados ou sentados. Nosso discurso tem que estar adequado à sua compreensão e faixa etária e, no caso de seus questionamentos, restringirmos nossa fala à sua curiosidade.

Hoje vamos refletir sobre como estabelecer limites:

Todo mundo já ouviu, ao menos uma vez, que “criança pede pra apanhar”. Na verdade, o que a criança pede são limites, podendo ir às últimas consequências até encontrar algum.

Se o “não” vai virar “sim”, ele não precisa existir. Muitos pais, na busca pelo limite, banalizam o “não”, ou seja, a primeira resposta a solicitação da criança é o não. Então, a criança se desgasta para conquistar o que deseja, até que a autoridade diz: ah, tá bom, mas só um pouquinho!

Lembre-se que a criança não tem um botão liga/desliga e, com isso, ela aprende que o seu limite é fraco e flexível, fácil de dobrar.

A recomendação é que ouça a criança e seus porquês, e tente negociar com ela uma situação ideal. Caso não seja possível chegar a um acordo, é importante reconhecer os sentimentos envolvidos e retomar o limite. “Eu entendo que você quer muito continuar brincando, mas neste momento você precisa tomar banho”.

O momento do limite, muitas vezes, exige estabelecer opções para que a criança escolha de que forma ela vai atender à solicitação dos pais:

“Agora é a hora do seu banho, você vai sozinho para banheiro ou precisa da minha companhia?”

Ou seja, o banho será tomado, a forma como a criança vai até o chuveiro pode variar.

Quando a criança escolhe, mesmo que as opções tenham sido impostas pela autoridade, ela sente que a decisão foi dela e passa a contribuir de forma efetiva com as solicitações dos pais.

Claro que isso é um processo. Se seu filho está acostumado a desafiar, pode ser que resista a este tipo de abordagem, mas se você persistir, investindo no fornecimento de opções para que ele escolha como vai te atender, tenho certeza de que logo logo o desafio não será tão intenso, até que não seja mais a sua primeira reação ao limite.

Nas próximas semanas abordaremos outras possíveis formas de comunicação nas diferentes situações que vivenciamos com as crianças como criação de rotina, regras e combinados e elogios. Não posso terminar o encontro de hoje sem agradecer a Sandra Carina, com quem aprendo sobre linguagem todos os dias e que tem me apoiado na organização desse tema tão edificante para a formação de nossos filhos.