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𝐂𝐨𝐦𝐨 𝐥𝐢𝐝𝐚𝐫 𝐜𝐨𝐦 𝐚 𝐛𝐢𝐫𝐫𝐚?

Birra, palavra tão pequena, mas de um significado enorme! Assusta mães, pais e educadores. Normalmente ocorre onde menos se espera. E o que fazer?

Antes de traçar estratégias para combater a birra, é necessário entender porque ela ocorre. A criança nasce sem nenhum conceito de regras ou deveres, que ela constrói gradativamente a partir de suas experiências. Para que isso ocorra, ela busca validar regras, limites ou deveres através de desafios e, muitas vezes, da birra.

A birra é um sinal de que a criança está buscando organizar seus pensamentos e sentimentos que estão em desequilíbrio, por isso ela se desgasta, chora, grita, se joga no chão, ou seja, demonstra fisicamente sua confusão mental/emocional sobre a circunstância em que está envolvida.

Mesmo nós, adultos, temos dificuldade de lidar adequadamente com sentimentos como medo, raiva, estresse, frustração, cansaço, sono. Exigir que a criança, com uma história de vida emocional de 2, 3 ou 5 anos, lide com sentimentos intensos de forma equilibrada é um erro.

É próprio da criança fazer birra. Umas em maior intensidade, outras de forma sutil. O que não pode acontecer é o adulto entrar na birra.

Ora, se a criança está desorganizada, ela precisa de alguém que a ajude a encontrar seu eixo e desenvolver novos recursos de ação para solucionar o seu problema. Dessa forma, pouco contribui para a superação da birra condutas como ameaças, gritos, sermões ou castigos.

O que se recomenda durante essas manifestações é utilizar uma linguagem breve e firme, com um tom de voz equilibrado, no qual a mensagem demonstre o limite e apoio na busca de uma solução.

Não é por acaso que, muitas vezes, o local escolhido pela criança para fazer birra deixe os pais pouco à vontade. É fácil por limite em casa, mas no restaurante, no shopping, no mercado fica bem mais difícil, mas é lá que o “show” acontece. Por isso é possível afirmar: a birra é a forma que a criança utiliza para validar suas regras e limites!

𝐀𝐛𝐚𝐢𝐱𝐨, 𝐧𝐨𝐬𝐬𝐚 𝐝𝐢𝐫𝐞𝐭𝐨𝐫𝐚 𝐞𝐝𝐮𝐜𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐕â𝐧𝐢𝐚 𝐁𝐮𝐞𝐧𝐨 𝐅𝐫𝐚𝐮 𝐝á 𝐚𝐥𝐠𝐮𝐦𝐚𝐬 𝐝𝐢𝐜𝐚𝐬 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐥𝐢𝐝𝐚𝐫 𝐜𝐨𝐦 𝐚 𝐬𝐢𝐭𝐮𝐚çã𝐨:

1- Antecipe expectativas através de combinados: se vão ao mercado, por exemplo, combinem o que vão comprar e qual o comportamento esperado.)
2- Sempre cumpra com o prometido: se prometeu ir embora, cumpra. Se disse que não compraria, não compre.
3- Não ameace, pois se a ameaça não se efetivar acaba por fortalecer o comportamento da birra.
4- Jamais faça vista grossa, pois a situação pode se tornar mais intensa. Se a criança está precisando chamar sua atenção, forneça atenção, porém de forma adequada.
5- Reconheça e valorize os sentimentos da criança e coloque um limite no comportamento: vale usar expressões do tipo “eu entendo que você está bravo, mas não aceito que você grite comigo!”
6- Dê apoio: “estou aqui para ajudá-lo a se acalmar para que possamos resolver”.
7- Trate a birra na intimidade: mesmo a criança se desequilibrando em público, procure conduzi-la para um canto e evite colocá-la em evidência. Lembre-se: a criança em desequilíbrio procura por um porto seguro, por isso demonstre equilíbrio.
8- Ouça, ouça e ouça. A criança sempre tem algo a dizer, ouvi-la a faz sentir-se importante.
9- Quando tudo estiver calmo, reflita com a criança sobre o que deu certo e o que deu errado, valorizando os pontos positivos e criando expectativas sobre eles.

Então, pais e mães, não deixem de comparecer com a criança, onde quer que a birra aconteça, lembrando sempre que, mesmo durante esses episódios, a criança precisa de amor, precisa ser ouvida, o que é bem diferente de bajulação.